História do Santuário Santa Rita de Cássia

Há notícias de um vilarejo onde está a atual sede do município de Guarda-Mor já no início do século XIX. A emancipação política foi efetivada em 1962, mas a história de fé  já é quase bicentenária.

O atual município de Guarda-Mor estava na rota do antigo caminho denominado Picada de São João Del- Rei/Goiás.

Para facilitar a fiscalização do contrabando do ouro naquelas paragens, reza a tradição que ao pé do Chapadão dos Pilões, teria sido instalado um posto de fiscalização do ouro transportado para Uberaba. Fato corrente nas estradas de todo o território das minas, estes postos eram em geral gerenciados por um “guarda-mor” ou guarda “maior”, a quem cabia a responsabilidade de fiscalizar as estradas dos contrabandistas. Como é tão usual na história mineira, esses postos de fiscalização cumpriam também a função de rancho de tropas e hospedaria para aqueles que cruzavam os sertões ermos.

Esta hospedaria teria, no primeiro quartel do século XIX (precisamente em 1819), abrigado SAINT-HILAIRE em sua viagem rumo à Província de Goiás. O viajante se refere ao local como fazenda que tinha o nome Guarda-Mor e descreve suas condições de hospedagem e seus processos produtivos, como seguem registrados os trechos abaixo:

“Nada havia para ver, nem a mais humilde choupana, nem gado, nem caçadores, e no entanto não se podia dizer que aquelas solidões inspirassem melancolia, pois a luminosidade do céu bastava para embelezar tudo […] Encontramos em Guarda-Mor um pequeno rancho coberto de folhas de palmeira, que for a construído para receber um ilustre personagem , João Carlos Augusto d’Oyenhausem, quando deixou o governo da Província de Mato Grosso, pouco tempo antes, para governar a de São Paulo, onde o encontrei mais tarde. Tivemos sorte em contra com esse abrigo, que no entanto era aberto de todos os lados, permitindo que os mosquitos nos importunassem bastante”. (SAINT-HILAIRE, Auguste de Viagem às Nascentes do Rio São Francisco, p. 142).

Em outra ocasião, o viajante assim se refere à fazenda:

“Depois de ter percorrido duas léguas desde que deixara o Sítio dos Pilões, parei numa fazenda que tinha o nome de Guarda-Mor. Chama-se assim não por causa do atual dono e sim porque seu proprietário tinha sido guarda-mor, pois a maioria das fazendas à batizada pela pessoa que a construiu. Seja como for, vi ali vários negros, e seu proprietário atual me pareceu gozar de certa prosperidade. Entretanto, sua morada era construída por um casebre muito mal tratado, pois, como já tive ocasião de dizer, a desordem caracteriza todas as propriedades que encontrei espalhadas por esses sertões.” (SAINT-HILAIRE, Auguste de. Op. cit., p.251)

Aí se formou o arraial do mesmo nome, que foi elevado a distrito pela lei 239, de 30 de novembro de 1842. Tornada lei sem efeito, foi Guarda-Mor novamente elevado a distrito de Paz pela lei 879, de 4 de junho de 1858.

O distrito pleiteou a sua emancipação política na divisão administrativa de 1953. No entanto, naquela Época, emancipou-se Vazante, desmembrando-se do município de Paracatu. Guarda-Mor, como distrito, ficou integrado ao novo município até 1963, já que adquiriu foros de município através da lei 2.764, de 30 de dezembro de 1962 e se instalou em 10 de março do ano seguinte.

O município, com uma área de 2.355 quilômetros quadrados, constituído de um único distrito, o sede, de acordo com o recenseamento de 2010, encontramos 6.656 habitantes no município, sendo que 3.513 estão na cidade.

Situa-se o município na Mesorregião Noroeste de Minas e sua principal fonte de riqueza é a agropecuária. Possuí escola de ensino fundamental e secundário na sede, e dezenas de escolas municipais rurais.

Na primeira metade do século XIX chegara ao arraial de Guarda-Mor o Capitão Pedro Pereira Guimarães com sua família, trazendo com ele uma Imagem de Santa Rita dos Impossíveis, construindo a Capela pela devoção à Santa. Em de 10 de outubro de 1871, foi criada a Paróquia de Santa Rita dos Impossíveis de Guarda-Mor, desmembrada da Paróquia Santo Antonio de Paracatu. Confirmada por provisão canônica de Dom João Antonio dos Santos, Bispo de Diamantina, de 12 de abril de 1872, suprimida, mais tarde, pela lei 1998, de 14 de novembro de 1873 e reabilitada algum tempo depois.

Em meados do século XX, a capela de Santa Rita foi demolida, já encontrava-se em estado de arruinamento e foi edificada a nova e simples Igreja de Santa Rita de Cássia.

A lei 1837, de 10 de outubro de 1871, criou a paróquia de Santa Rita dos Impossíveis de Guarda-Mor, desmembrada da Paróquia Santo Antonio de Paracatu. Confirmada por procissão canônica de Dom João Antonio dos Santos, Bispo de Diamantina, de 12 de abril de 1872, suprimida, mais tarde, pela lei 1998, de 14 de novembro de 1873. A Paróquia foi recriada por Dom Eliseu em 1954.

No mesmo ano, Frei Humberto Van Teijling passa a residir em Vazante (embora a Paróquia N. Sra da Lapa tenha sido criada somente em 1963) e atende também Guarda-Mor, onde celebra e visita mensalmente. Em 1956, Frei Humberto é sucedido por Frei Cecílio Bruggeman, que permanence até 1961. Durante seu paroquiato, em 22 de maio de 1957, lança-se a pedra fundamental da Nova Igreja Matriz, com a bênção de Dom Eliseu. A Matriz passou a funcionar provisoriamente no local construído para ser cinema. Décadas depois, o projeto começou a ser revisto no paroquiato de Mons. João César, embora não tenha dado início a construção devido a demora na negociação com a prefeitura para que a Matriz fosse construída no terreno onde hoje está situada a Câmara Municipal. Pe. Geraldo Simonides começou o movimento para a Construção da nova Matriz no local onde existia a base antiga, tendo prosseguimento por Pe. Antonio Araújo, Pe Paulo Giovanni, Pe Geraldo dos Reis e atualmente por Pe Antonio Eduardo.

Com o crescimento da população e, consequentemente da participação, o salão paroquial, construído por Mons. João César, serviu de Igreja provisória até 11 de dezembro de 2004.

Guarda-Mor sempre foi atendida por vigórios de Paracatu. A assistência mais sistemática de sacerdotes começou após a criação da extinta Prelazia, com a restauração da Paróquia por Dom Eliseu Van de Weijer.

Há registro dos seguintes Párocos:

1. Frei Paulo Gogelman (1961-1963)
2. Frei Vicente Klein Gebbink (25/01/1963 a 07/05/1963)
3. Frei Estévão Peters (07/03/1963 a 09/02/1966)
4. Frei Afonso Hoebert (09/02/1966 a 30/01/1967)

A partir de fevereiro de 1967 a paróquia foi anexada à de Vazante. Portanto, passou a ser atendida por Frei Vicente, permanecendo neste estado até 21 de fevereiro de 1976.

5. Frei Eustáquio van der Weff (21/02/1976 a 17/04/1979)
6. Frei Basílio Beune (01/03/1980 a 1981)
7. Dom José Cardoso Sobrinho (1981-1984)
8. Pe. José Afonso Guimarães (outubro de 1984 a 21/08/1987)
9. Pe. Eustáquio Xavier Damasceno (Administrador Paroquial de 22/08/1987 a 02/04/1988)
10. Pe. Serafim Antonio Petroski (Administrador Paroquial de 08/04/1988 a 22/12/1988)
11. Pe. Eustáquio Xavier Damasceno (01/01/1989 a 06/02/1990)
12. Pe. José Afonso Guimarães (07/02/1990 a 20/01/1991)
13. Pe. João César Teixeira de Melo (20/01/1991 a 24/01/1997)
14. Pe. Renato Gontijo Bento (26/01/1997 a 29/11/1998)
15. Pe. Geraldo Simonides (07/12/1998 a 07/11/1999)
16. Pe. Antonio Ferreira de Araújo (23/11/1999 a 25/03/2003)
17. Pe. Paulo Giovanni Rodrigues de Oliveira (26/03/2003 a —/05/2010
18. Pe. Geraldo dos Reis Monteiro Fontes (—/05/2010 a 03/12/2010)
19. Pe. Antonio Eduardo de Oliveira (03/10/2010 a 06/2015)
20. Pe. Rogério Correia de Andrade (Administrador Paroquial:06/2015 a 08/2016)
21. Pe. Ricardo Vieira de Bessas (Diretor Espiritual: 08/2016 a 4/11/2016)
22. Pe. Samuel Casiano Matos (6/11/2016 a —-)

Também passaram por Guarda Mor as Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado: Anália Ferroni Pires (coordenadora), Ecléia Frejat e Francisca Pereira. Iniciaram as atividades no dia 03 de marco de 1969. O ultimo relatório da Irmãs (assinado por irmã Labrício Ferreira) aconteceu no dia 30 de junho de 1971. Depois, encerraram os trabalhos em Guarda-Mor. Durante a sua permanência nesta Cidade, se dedicaram a atividades religiosas, sociais e assistenciais.

Em 2010, foi contratado o Artista Sacro Laécio Gomes Teixeira, que pintou no presbitério ícones representando Santa Rita diante do crucifixo, nossa senhora do Carmo, e artesanalmente fez o sacrário com portas com representação do pelicano e do cordeiro. A beleza do ícone contemplado a cada celebração demonstra o quanto Santa Rita é venerada pelos fiéis da Paróquia.

A devoção de Santa Rita de Cássia, aqui iniciada mesmo antes de sua canonização oficial pelo papa Leão XIII em 1900, foi crescendo e amadurecendo nesses mais de 140 anos de história. Atualmente temos uma grandiosa festa de Santa Rita de Cássia que a cada ano atrai centenas de fiéis que vem louvar e agradecer a Deus as graças recebidas por intercessão de Santa Rita. No dia 23 de julho de 2011 a paróquia recebeu a Relíquia “ex carne” de Santa Rita de Cássia, concedida pelo Mosteiro de Cáscia-Itália trazida por um filho de Guarda Mor que residia na Itália (Diácono Hernanni Pereira). Intermediado por Pe. Hernanni Pereira, foi possível a aquisição da Imagem Fac-Simille ao Corpo Incorrupto de Santa Rita de Cássia que foi recebida em Guarda Mor no dia 22 de janeiro de 2012. Na Ocasião Dom Leonardo de Miranda Pereira elevou solenemente a Matriz à categoria de Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia, dando aprovação eclesiástica ao culto à Santa das Causas Impossíveis que há mais de 140 anos já existe em Guarda Mor e agora pode ser divulgado na região.